Em tempos de mensalão, dinheiro escondido em cueca e malas, além das CPI'S da vida, que tal mudarmos para outro mundo, irmos embora para o mundo sugerido por Manuel Bandeira? Digamos um mundo exagerado, cheio de vícios (de todos os tipos), mas onde tudo é possível, menos a falta de ética, a mentira e as ilusões. que tal?!
Manuel Bandeira é exagerado em reflexo sua história de vida conturbada, arrasada pela tuberculose, até então sem cura! Mas no fundo, mostra em seus poemasuma vontade louca (quase voraz) de viver!!
Vou-me embora pra Pasárgada
Lá sou amigo do rei
Lá tenho a mulher que eu quero
Na cama que escolherei
Vou-me embora pra Pasárgada
Vou-me embora pra Pasárgada
Aqui não sou feliz
Lá a existência é uma aventura
De tal modo inconseqüente
Que Joana a Louca de Espanha
Vem a ser contraparente
Da nora que nunca tive
E como farei ginástica
Andarei de bicicleta
Montarei em burro bravo
Subirei no pau-de-sebo
Tomarei banhos de mar!
E quando estiver cansado
Deito a beira do rio
Mando chamar a mãe-díágua.
Pra me contar histórias
Que no tempo de eu menino
Rosa vinha me contar
Vou-me embora pra Pasárgada
Em Pasárgada tem tudo
É outra civilização
Tem um processo seguro
De impedir a concepção
Tem telefone automático
Tem alcalóides à vontade
Tem prostitutas bonitas
Para gente namorar
E quando eu estiver mais triste
Mas triste de não ter jeito
Quando de noite me der
Vontade de me matar
Lá sou amigo do rei
Terei a mulher que eu quero
Na cama que escolherei
Vou-me embora pra Pasárgada.
Poema "Vou me embora prá Pasárgada" , de Manuel Bandeira